Notícias
Leilão de capacidade é uma evolução que precisa ser comemorada

Leilão de capacidade é uma evolução que precisa ser comemorada

Publicado em
5/8/2026

Leilão de capacidade é uma evolução que precisa sercomemorada

Jorge Nemr, presidente do conselho da Diamante Energia,avalia, em artigo ao CNN Infra, que com tanta demanda e conflitos geopolíticosno mundo, Brasil precisará de todas as fontes energéticas disponíveis

O mais recente Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP),realizado em março passado e considerado o maior já realizado na área deenergia do país, representou a contratação de 19,47 gigawatts de potênciapara o sistema, com cerca de 100 empreendimentos vencedores e investimentosavaliados em R$ 64,5 bilhões, movimentando uma receita total de R$ 515, 7bilhões. Toda essa energia térmica contratada representa, antes de mais nada,uma base firme e segura para a manutenção e ampliação das nossas fontes nessestempos de alta demanda elétrica e conflitos geopolíticos que ameaçam oabastecimento de energia em todo o planeta. 

O LRCAP é um instrumento estrutural e fundamental para ofuturo do sistema elétrico brasileiro. Ele não trata apenas de expandirgeração, mas de garantir potência disponível nos momentos críticos, algocada vez mais relevante numa matriz com alta participação de fontes renováveisintermitentes. Com tantos benefícios em jogo, não faz nenhum sentido astentativas de anular o leilão e interromper um processo urgente e inadiável,inclusive para novos investimentos no nosso parque renovável. 

Entre as principais vantagens que o LRCAP traz para o nossosistema estão a redução do risco de apagões e déficit de potência; aviabilização e expansão das renováveis com segurança; a maior flexibilidadeoperacional do sistema; a redução de custos no médio e longo prazo; o estímuloa investimentos e desenvolvimento econômico; a diversificação e modernização damatriz elétrica; e a maior previsibilidade para possibilitar planejamento delongo prazo. Isso sem falar no preço.

Se houvesse um novo leilão hoje, o nível de deságioseria zero e possivelmente daria "deserto", devido à situaçãogeopolítica internacional e ao aumento de todos os custos de operação econstrução de novas usinas. Então, ao invés de questionar, o Brasil hojeprecisa comemorar o sucesso desse leilão. 

O LRCAP representa uma mudança importante, porque desloca ofoco em apenas “gerar energia” para “garantir potência quando necessário”. Comisso, será possível sustentar a expansão das renováveis, reduzir o riscode apagões, tornar o sistema mais flexível e eficiente e, por fim, darprevisibilidade econômica e regulatória. É preciso se falar mais de “energia”,um conceito maior e mais importante do que apenas “eletricidade”. Na Europa enos Estados Unidos, por exemplo, o foco está no conceito de energia como umsistema integrado, embora a eletricidade continue sendo o eixo central datransição.  

Na União Europeia, as políticas energéticas tratam daintegração entre setores, ligando eletricidade, calor e mobilidade. Eles sabemque não podem abrir mão de nenhuma fonte de geração de eletricidade, sob penade apagões e recessão, uma realidade já presente em muitos países docontinente. Os europeus estão muito mais preocupados em mudar a matriz doscombustíveis automotores – principais responsáveis pela emissão de CO2 – do quede geração térmica de eletricidade. E nunca é demais lembrar: no Brasil, aemissão do carvão mineral representa apenas 0,3% de todas as emissões anuais deCO2 do país. 

Por tudo isso, defendo um grande pacto do setor, para secriar o "marco temporal do setor elétrico". O primeiro passo seriatirar uma “fotografia” do que é hoje a matriz do setor elétrico. A partir daí,poderíamos crescer todos juntos e proporcionalmente, uma matriz dandosustentabilidade para outra. Se o Brasil crescer 2%, todas as matrizescrescem proporcionalmente 2%, sem que uma fonte precise excluir a outra. Isso daria previsibilidade para o ONS (Operador Nacional do Sistema), além demaior previsibilidade e segurança jurídica para os investidores. No final, osbenefícios ficariam com o consumidor, com a garantia no fornecimento de energiae de menores preços na conta do mês. 

Apesar de todas essas evidências, as narrativas e lobbiespor aqui ainda insistem em uma transição elétrica, termo defasado edesnecessário em um país que já tem quase 90% de suas fontes oriundas dematrizes renováveis. A expressão “transição elétrica”, aliás, já está obsoleta.

Não é só elétrica, porque a energia é um conceito mais amploe urgente; e nem é mais transição, uma vez que o mundo precisa é de uma“evolução”. Com tantas questões cruciais (aumento no consumo de arcondicionado, carros elétricos e inteligência artificial) que vão demandar umaprodução absurda de energia nos próximos anos, o desafio hoje é de adiçãoe evolução no sistema. 

Vamos precisar de todas as fontes e tecnologias para superaresses obstáculos. E o Brasil, que possui todas as matrizes energéticasdisponíveis e abundantes, tem uma oportunidade e uma responsabilidade históricade liderar esse processo de evolução energética. Podemos nos tornarautossuficientes e exportadores de insumos fundamentais para os dois grandesdesafios da humanidade: a segurança energética e segurança alimentar. Jáexiste tecnologia disponível, por exemplo, para transformar cinzas de carvão emfertilizantes, acabando com a nossa dependência internacional. Com uma políticacorreta e investimentos adequados, poderemos assegurar a soberania nacional e aliderança continental no fornecimento de energia e fertilizantes. 

Da mesma forma, a tecnologia para a redução de emissão deCO2 em até 90% já está disponível e é amplamente utilizada na Ásia, onde ocarvão mineral se mantém como a principal matriz energética de muitospaíses. Só neste ano, a China colocará em operação mais de 70 gigawats detérmicas, quase o dobro do que o Brasil produziu nos últimos 60 anos. Com umpotencial de carvão ainda pouco explorado – principalmente no Rio Grande doSul, que detém quase 90% das reservas nacionais – o Brasil tem todas as condiçõesde se tornar um grande produtor e exportador desse mineral.

Em um mundo onde a energia é cada vez mais necessária e oseu fornecimento cada vez mais imprevisível, não há nenhuma lógica em sedefender a exclusão de alguma fonte. Ao invés de transição ou exclusão,precisamos começar a falar em “Evolução Energética”. Afinal, a energia maiscara é aquela que não está disponível. E o Brasil, parece, é o último a saberdisso. 

* Jorge Nemr é presidente do conselhode administração da Diamante Geração de Energia e membro do conselhoda Al-Mas Energia e da ABCS (Associação Brasileira do CarbonoSustentável)

Artigo retirado de: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/leilao-de-capacidade-e-uma-evolucao-que-precisa-ser-comemorada/

Olivia Rhye
Product Designer, Untitled

Relacionados

Trabalhe onde inovação e responsabilidade se encontram
Acreditamos que o futuro é construído por pessoas comprometidas. Procuramos talentos para nossas operações, pessoas que valorizam a ética, a colaboração e o desejo de transformar desafios em oportunidades.
Saiba mais