
O presidente da Diamante, Pedro Litsek, participou nesta quinta-feira (24) do Proenergia Summit 2026, evento do setor energético realizado em Fortaleza (CE), como um dos palestrantes do painel "Oportunidades e desafios na geração e transmissão de energia". Em sua apresentação, Litsek destacou a necessidade de ampliar a geração de base no Brasil nos próximos anos em virtude das previsões informadas pela ANA – Agência Nacional de Águas - da redução da afluência dos rios para geração hidrelétrica especialmente no Sudeste e Centro Oeste. “A operação das hidrelétricas está evoluindo para a de grandes baterias, carregando durante o dia (quando temos uma geração solar importante) e descarregando a noite. O resultado é que vamos precisar de uma nova geração de base, de baixo carbono, para substituir a firmeza que a hidroeletricidade não conseguirá mais entregar sozinha", afirmou.
Nesse sentido, o executivo contou que a companhia estuda usinas a carvão com captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS), aproveitando a cadeia carbonífera de Santa Catarina. Segundo ele, a tecnologia ainda está em amadurecimento e tem como desafios o alto custo e a destinação do CO₂ capturado. Outra aposta da Diamante são os pequenos reatores modulares (SMRs), como fonte de geração firme e de baixo carbono. Litsek lembrou que o marco regulatório do setor ainda está em construção, mas que a empresa já realiza estudos de pré-viabilidade e iniciou, junto à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), o processo de obtenção da Licença Prévia de Local (LPL) para sua usina em Santa Catarina.
O presidente também apresentou outras frentes de investimento da Diamante, como o cadastro de projetos para o leilão de baterias, a aquisição das usinas de Pecém II (CE) e Itaqui (MA) e as pesquisas em biocarvão e em micro-reatores nucleares. A primeira iniciativa, que aproveita a casca do coco para produzir carvão vegetal a ser misturado ao carvão da usina de Pecém, é uma parceria com a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e conta com suporte técnico do IDESCO. Já o projeto nuclear tem financiamento parcial da FINEP (R$ 30 milhões) e aporte de R$ 20 milhões da própria Diamante e visa a construção de um protótipo de um micro-reator nuclear com capacidade de geração de 5 MW.
A Diamante mantém outros planos de expansão no Ceará. Um deles envolve sistemas de armazenamento de energia por baterias.A empresa possui projetos cadastrados que somam até 300 megawatts (MW) e pretende participar do próximo leilão de capacidade, previsto para o fim deste ano.“Nossa ideia é participar do próximo leilão, que deve acontecer até final do ano”, afirmou Litsek.

